Pedrelina
Olá. Estou de volta para postar algo que considero como sendo a melhor obra que criei.
Sem contar que a mesma é gigantesca. Se você tiver paciência e tempo veja a estória de Pedrelina que me custou 14 páginas.
Espaço Explicativo:
"Foi então lá no tabuleiro"
Tabuleiro: Muitos podem pensar que se trata de um tabuleiro de damas ou xadrez, onde acabaria por ficar sem o devido sentido na poesia.
Porém o tabuleiro que o autor se refere trata-se de um determinado local onde existem árvores silvestres (que se reproduzem sem nenhum tipo de cultura humana)
Exemplo: Pequi, macambira, Articum ( também chamado de Panam ou cabeça de nego dependendo da região onde se reproduz.
Sem contar que a mesma é gigantesca. Se você tiver paciência e tempo veja a estória de Pedrelina que me custou 14 páginas.
Espaço Explicativo:
"Foi então lá no tabuleiro"
Tabuleiro: Muitos podem pensar que se trata de um tabuleiro de damas ou xadrez, onde acabaria por ficar sem o devido sentido na poesia.
Porém o tabuleiro que o autor se refere trata-se de um determinado local onde existem árvores silvestres (que se reproduzem sem nenhum tipo de cultura humana)
Exemplo: Pequi, macambira, Articum ( também chamado de Panam ou cabeça de nego dependendo da região onde se reproduz.
Pedrelina
Andando pela região de
Minas
Conheci uma menina
Nunca vi coisa mais
linda
Pedrelina, Pedrelina
Montado em meu cavalo
De longe avistei Seu
Valdo
Dizendo: Qual é a tua,
seu moço?
Tu tá procurando
trabalho?
Se tá procurando
trabalho
Quem sabe uma coisa que se
aprenda
Siga então o meu cavalo
Vamos pra minha fazenda
Pois quem tem tanto
empregado
Não custa nada ajudar
Alguém feito pobre
coitado
Sem rumo pra se firmar
Disse que chamava Valdo
E queria saber meu nome
Antônio era complicado
Preferiu me chamar de
Tony
Depois de fazenda à
dentro
Vi sua filha Pedrelina
Nunca vi coisa mais
linda
Pedrelina, Pedrelina
Ficamos olhando um pro
outro
Como quem fica espantado
E de tanto se olhar por
pouco
O velho quase tinha notado
Tratei de cuidar da vida
E da fazenda do patrão
Tentando esquecer a
menina
Que já tava virando paixão
Foi então lá no tabuleiro
Que a gente se viu sem
querer
De vergonha fiquei
vermelho
Achei melhor me esconder
Com medo que meu patrão
Ficasse chateado e
nervoso
Mas minha maior intenção
Era que ele fosse meu
sogro
Sonhar não é proibido
Até pra um pé rapado
Sei que corro perigo
E até estou sendo
vigiado
Vim pra cá atrás de
serviço
Pra minha vida melhorar
Mas meu coração atrevido
Já pensa até em se casar
Encontrei-a sozinha de
novo
Com olhar mais encantado
Confesso que passei sufoco
Tasquei-lhe um beijo
forçado
Depois de um beijo
roubado
Ela fingiu não gostar
Pediu pra que eu fosse
educado
E pusesse-me em meu lugar
Mais de mês se passou
E ela já tava fisgada
Com sua boca confessou
Que estava apaixonada
Passamos a nos encontrar
Com muito cuidado e
escondido
O velho nem podia sonhar
Senão eu tava perdido
Todo dia me encontrava
E sempre no mesmo local
Ali mesmo me beijava
Em meio ao canavial
De tanto que a gente beijava
A coisa foi logo esquentar
Por mais que ela se
guardava
Acabou por engravidar
Ela não tinha nem idade
E filho não estava em
seus planos
E pra ter maioridade
Faltava quase dois anos
Fiquei então sem sossego
Sabendo daquela notícia
Com medo de acabar sendo
preso
Virando caso de polícia
Pensei no que ia decidir
E falar com a Pedrelina
Mas tinha que assumir
Aceitando a minha sina
Um dia de encontro
marcado
Ela veio me beijar
Eu pulei meio afastado
Pedindo pra conversar:
Cê sabe que seu pai é
bravo!
Mas ele precisa saber
Que eu estou apaixonado
E só saio daqui com você
Quero falar isso
pessoalmente
Pois também sou
cabra-macho
Nem que ele quebre meus dentes
Mas assumo tudo que faço
Pois quero seu
consentimento
Porque sou muito sincero
Vou te pedir em casamento
Pois é tudo que quero
Ela me chamou de louco
E que estava desvairado
Que seu pai por muito
pouco
Já teria é me matado
Que eu deixasse de prosa
furada
E o que tínhamos que fazer
Era fugir de madrugada
Antes de sua barriga
crescer
Depois de tudo planejado
Faltava só marcar o horário
Tivemos tanto cuidado
Mas esquecemos dos funcionários
Mesmo sendo um bom rapaz
Seu pai não ia me
perdoar
Botou seu melhor capataz
No encalço pra me pegar
Pois andava desconfiado
Do jeito da gente se
olhar
Só queria tá acertado
Pra poder então se
vingar
Não queria a filha
agarrada
Com um cara sem futuro
A não ser que fosse
casada
Com doutor de muito
estudo
Conseguimos enfim fugir
Pra rodoviária da cidade
Mas pra poder concluir
Precisava de duas
passagens
A gente não tinha dinheiro
A não ser o cavalo
Azulão
Que foi nosso companheiro
E serviu de condução
Que tal a troca seu
moço?
O cavalo pelas passagens
Ainda te volto um bom
troco
Pra você seguir viagem
Seu ônibus tá meio
atrasado!
Só sai daqui a duas horas
Mais pode ficar
sossegado
Hoje mesmo cê vai embora
Eu só não desconfiava
Que era tudo armação
E que o agente
telefonava
Avisando meu patrão
Que logo se apresentava
Com seu bando de pião
E em meia hora chegava
Pra minha decepção
Obrigado pelo aviso compadre!
Eu te devo esse grande
favor
Pra isso que vale a
amizade
Pra alegria e até pra
dor
Segurem bem esse cabra
Que não vão se
arrepender
Prometo pagar cervejada
Quando o dia amanhecer
Vamos embora meus
camaradas
Que tem cavalo sobrando
Minha filha comigo
agarrada
O azulão com o infeliz caminhando
Cê vai no azulão
atrelado
De pé e sem se apressar
Com as mãos presas em
seu rabo
Devagar pra não lhe provocar
O azulão quando fica
zangado
Dá coice pra todo lugar
Porque agora cê ficou
calado?
Sem vontade de prosear
Cê vai respeitar fazendeiro
Ou então aprende a rezar
Pois o seu maior desespero
Vai ser quando lá chegar
Prometi pra mim mesmo
Não mais usar meu punhal
Mais eu só vou ter
sossego
Quando ver seu funeral
Depois de léguas
amarrado
Chegamos então na
fazenda
Eu já quase desmaiado
Tremendo de tanta
fraqueza
Juntou três homens do
lado
Aguardando o sinal do
patrão
E eu já desesperado
E com o coração na mão
Melhor que eu tivesse
infartado
Do que aquela situação
Era tudo mal encarado
Todos com faca na mão
Dois me segurou com
força
O outro pronto pra furar
Eu me senti uma mosca
Esperando alguém me
esmagar
Mas o patrão acenou pra
parar
Pois de longe alguém
gritou
Pedindo pra conversar
O qual lhe contrariou
Quem era o desajuizado
Pra impedir a carnificina
Mas ficou admirado
Quando viu dona Valdina
Que lhe implorou o seu favor
De deixar o coitado em
paz
E em nome do seu próprio
amor
Que poupasse o pobre rapaz
O velho indignado
Ficou feito Zé-Mané
Além de ser
desrespeitado
Não tinha o apoio da mulher
Cê me conta essa estória
Valdina
O que é que tá acontecendo
Como que um estranho franzina
Já tá até te convencendo
Tantos anos nós dois
juntos
Nunca te vi tomar minha
frente
Mas com esse vagabundo
Vejo que a coisa é
diferente
Valdo cê me promete
Não se zangar. Por
favor!
Pois esse cabra da peste
A Pedrelina já embuchou
Rapaz! O que eu ia fazer
Quase ia te matar
E meu neto ia crescer
Sem um pai pra se criar
Imagina a grande besteira
A Valdina foi evitar
Minha filha ser mãe
solteira
E meu nome se difamar
Morrer cê não morre
agora
Mais ainda precisa
aprender
Eu te amarro nessa tora
Até outro dia amanhecer
Daí eu venho te buscar
Dou algo pro cê comer
Pra semana que vem casar
E nunca mais se esquecer
Nunca mais cê vai brincar
E com filha dos outro mexer
Se você não contestar
Vai fazer por merecer
No sábado do casamento
Seu Valdo ainda tava
bravo
Com aquele meu
atrevimento
De quase o ter enganado
Achou estar nos castigando
Com casamento forçado
Mas a gente tava
gostando
De poder se amar
sossegado
Os anos foram passando
E Tony com Pedrelina
Outro neto já chegando
Pra alegria de Valdina
E o velho sempre bravo
Nem podia ouvir meu nome
Mas fiquei admirado
Quando me chamou por Tony
Tony. Precisamos
conversar
Dessa vez vai ser como
gente
Eu peço pra perdoar
Esse pobre velho doente
Que em breve tá pra
morrer
E que já encomendou o
caixão
Mas quero de ti merecer
No mínimo o seu perdão
Foi de tanto eu ter zelo
Que passei dos meus
limites
Sei que foi muito
exagero
Mas fica aqui meu
convite
Você é alegria de
Pedrelina
E quero morrer seu amigo
Pra sempre será minha
menina
E eu quero te chamar de filho
Os dois então se
abraçaram
Começaram então a chorar
Com lágrimas se
perdoaram
Até toda mágoa acabar
E o velho de tão cansado
Que pensava que ia morrer
Ficou mais recuperado
E muito tempo foi viver
Um dia ele disse o
motivo
De sua recuperação
Pra Valdina deu ouvido
Pro rapaz pedir perdão
Chamou de novo o casal
Dizendo ter que
conversar
Mostrou além do canavial
Até os olhos não
alcançar
Disse que era só metade
Das terras que iam
herdar
Que era pura verdade
E que podiam confiar
Das trezentas cabeças de
gado
Que o genro tinha que
cuidar
Rendia um bom resultado
Pro velho se alegrar
E seu Valdo que
antigamente
Só queria conservar seu
nome
Tava mais do que contente
Da filha casada com um
homem
Refrão: Pedrelina,
Pedrelina
Filha de dona Valdina
Nunca vi coisa mais linda
Pedrelina, Pedrelina
Fim
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